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terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Linha cruzada - Parte 1 - Web novela


VALE A PENA LER DE NOVO! 
Linha cruzada está de volta!




A historia e todos os personagens dessa Web Novela são fictícios, qualquer semelhança é mera coincidência. 



                                                "Linha Cruzada" 








Em uma daquelas tardes ensolaradas, crianças brincam de bola de gude, mulheres conversam nos caminhos, outras lavam roupas na mina d’água, pessoas sobem, pessoas descem. Alguns ficam nas tendinhas bebendo umas e outras, mas muitas pessoas sobem o morro com o cansaço estampado em seus rostos envelhecidos de tanto trabalhar e com o coração amargurado por não verem a “luz no fim do túnel”. Assim o cotidiano do morro vai seguindo. Toda a pobreza fica estampada ali, na cara de quem quiser ver, valas de esgoto, casas de alvenaria ou barracos, mas sempre construído de maneira perigosa.
Michel, ainda moleque de 14 anos, solta pipa na ponta de uma laje. Nina uma menina de 8 anos, olha enfeitiçada para Michel.
Nina viaja olhando pra Michel e chega a não escutar Micaela a chamar.
__Nina! Nina! Nina! Vem brincar! Vai ficar aí olhando pro meu irmão é?
__Já vou! Já vou!

Michel olha pra Nina e fala com ela:

__ Que foi? O que você ta olhando? Quer soltar pipa?

Nina sorri envergonhada e sai correndo.
Michel sorri também e continua soltando pipa. No morro é assim, as pessoas passam muitas dificuldades, mas os pobres vêem nas coisas mais simples da vida uma das maiores alegrias, como a pipa, a cervejinha do final de semana, o pagodinho, a feijoada...
Michel adora soltar pipa. Na verdade ele se sente assim como a pipa, livre, porem, preso por um fio.
Mas como todo mundo sabe, alegria de pobre dura pouco e logo esse seu lazer é interrompido por uma voz alta e grossa.

__ Ôh, moleque deixa essa porra aí e rapa fora, que a chapa ta quente! Anda logo! Rala daqui!



Quando Michel se vira logo bate os olhos no fuzil do policial, que parece estar pronto pra matar alguém à dentada.
Logo ele larga a pipa e sai correndo. Michel corre pensando da maneira mais discreta possível, por que acredita que polícia é o diabo, adivinha até pensamento.

__ Puta que pariu! Esses filhos da puta vêm pra cá perturbar a nossa paz! Viados...

No mesmo momento em que Michel, Nina, Micaela e todo o morro correm pra dentro de casa, em outro canto da cidade, mas dessa vez um canto mais bonito, cheiroso, chique e confortável, duas meninas brincam.



__Melissa!Melissa! Duvido você me pegar! – Grita Andressa.
__Duvida?Eu vou te pegar!
Melissa corre atrás de Andressa. As duas correm no jardim enfeitado e brincam livres de qualquer sofrimento. Ricas, gracinhas... O que mais pedir a Deus? Elas estão no jardim, por sinal um belo jardim, todo enfeitado de acordo com o tema da festa.
Carmelita, mãe de Melissa, caminha para o jardim e chama as meninas:

__Meninas! Está na hora de cantar parabéns! Melissa, Andressa!

Melissa e Andressa curtem muito a festa. Muito refrigerante, doces, salgados, brinquedos, animação, tudo que uma criança sonha. Ali parece existir só alegria. Criança jamais perde tempo se preocupando com coisas de adulto, nunca!
Assim a noite cai... Melissa e Andressa seguem com suas famílias para suas respectivas casas e lá adormecem com os anjos.
Já Nina não dorme a noite toda com medo do tiroteio. Cada tiro é um pulo! Nina consegue ouvir sua mãe rezando baixinho...

__ Pai nosso que estais no céu...

Michel se meche na cama a cada barulho que ouve. Parece o inferno! Gritos, tiros, passos, um horror! No morro é assim sempre tem tiroteios. Alguns acabam acostumando, mas outros não...
Logo que amanhece, Michel e Micaela, passam na casa de Nina para dali irem pra escola. Logo que começam a descer o morro se deparam com um corpo estirado no chão e muito sangue escorrendo pelas escadinhas tortas, cercado de mulheres que choram em voz alta.




__Meu filho! Um filho! Fala comigo! Ah meu Deus, por que?

As pessoas pobres são assim gritam muito, tanto na alegria quanto na tristeza. Enterro de rico você não vê essas coisas. Nunca! Mas pobre solta a garganta... Também não tem nada de valor... Só são donos de si e de seus filhos, só... E quando um deles morre... Parece que o mundo está acabando...
Nina e Micaela olham assustadas para aquela cena. Apesar de ser uma coisa constante no morro, as crianças não gostam de ver cenas assim, principalmente se a mãe estiver chorando junto ao corpo esfacelado pelos tiros.
Michel olha com um olhar diferente. Não é somente um olhar de tristeza, parece conter um pouco de revolta, ódio... Mas logo ele sai e chama as meninas:

__ Vamos logo! Vamos!

No outro lado da cidade, Melissa chega em seu colégio e antes mesmo de descer do carro de luxo já avista Andressa.

__Andressa! Me espera!

A empregada – baba segura a mão de Andressa, mas logo que vê a prima gritando, se solta e juntas entram na escola.
Assim passam-se dez anos... Ricos continuam ricos e pobres continuam pobres. Agora as crianças cresceram e suas vidas estão por um fio de se cruzarem. O destino é assim, prega cada peça...






SEGUE PARA PARTE 2 


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