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terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Web Novela: A fera e a bela - PARTE 8





Assim que amanhece Chupeta se veste com uma roupa um pouco grande que recebeu de doação, pois suas coisas se perderam todas no desabamento. Muito desolado ele senta na escada de cabeça baixa e aguarda o resto do pessoal que vai acompanha-lo no sepultamento de sua família.
Logo Marcio e Nanda estão prontos.

_ Vamos amigo! - Nanda o conforta Chupeta.

Ainda na Van Nanda sente falta de Alessandra.

_ Gente! Cadê a Alê?

Marcio Responde.

_ Ela sumiu. Eu passei na casa dela e nada.

_ Meu Deus... Onde essa doida se enfiou...

Enquanto isso Alê se espreguiça, nua enrolada em um lençol. Logo que se vira e olha Waguinho dormindo profundamente. Ela o observa e sorri feliz como se tivesse conquistado um premio.

No cemitério, um breve velório com caixões simples marcam a despedida de Chupeta e sua família. Ele chora compulsivamente e é acolhido pelas pessoas que acompanham o enterro. Muitas senhoras, crianças, famílias inteiras participam da despedida.  Uma senhora entrega umas pétalas nas mãos de Chupeta pra ele jogar sobre os caixões.

No morro Waguinho acorda e logo se veste apressando Alê.

_ Vamos! Eu tenho que resolver umas paradas aí... Se arruma logo!

_ Eita que pressa gato. - Ja catando as roupas

Waguinho para olha Alê se vestindo e fala:

_ Até que não fiz mau negocio não... E aí vai dormir comigo hoje de novo?

Alê para de botar a roupa caminha até ele responde beijando Waguinho.

_ Claro! Por mim eu nunca mais saio do seu lado.

Num mix de atenção com desprezo ele dá um estalinho nela e sai ja abrindo a porta. Alê sai correndo atras carregando sandália bolsa, toda atrapalhada. Assim que sai da casa Waguinho já está em cima da moto. Alê crente que vai com ele fica desapontada quando ele parte sem falar nada com ela. Um dos seguranças para na frente dela e fala:

_ Aí o amigo pediu pra avisar que mais tarde vai mandar alguém na sua direção. Ja é!

Ela so balança a cabeça e continua andando.

Quando está caminhando em direção onde mora, Alê bate de frente com o grupo que chega do enterro. Nanda, Marcio e Chupeta param e ficam olhando pra ela em plena luz do dia com uma roupa de noite.

_ Ain gente! Eu dormi de mais, perdi a hora... -  Alê tenta se justificar por não ter ido ao enterro.

_ Que isso cara. Você já fortaleceu grandão. Arrumou o dinheiro. - Chupeta responde.

Alê abraça Chupeta e faz carinho no rosto dele.

_ Nossa amigo. Como que você está?

Marcio logo se mete na conversa.

_ Porra tu tava onde?

_ Não te interessa né cagado! Eu hein!

_ Vai oh ignorante escrota!

Nanda se mete e acaba com a discussão.

_ Ah gente! Chega! Isso não é hora de bate boca não. Chega!



Eles continuam caminhando. Eles não percebem, mas um homem os segue. Chegando na porta da casa de Nanda, chupeta para sem saber o que fazer nem pra onde ir.

_ Vem Amigo! Você vai ficar aqui em casa.

_ Pow eu vou poder ficar aí?

_ Claro Chupeta! Anda entra.

Os dois entram, Alessandra e Marcio seguem pras suas casas.

Chupeta muito sem graça senta no canto do sofá e fica ali inerte. Nanda vai pra cozinha quando seu celular toca.

_ Alo!

_ Oi meu amor. Quero te ver.

_ Oi Diego. Também estou morrendo de saudade, também quero te ver.

_ Então... Vamos marcar naquela praça la perto da sua escola. Pega um moto taxi que eu pago lá. Então 7 hs valeu?

_Ta bom meu amor. Eu vou sim.

_ Bjs te amo minha gata.

_ Também te amo. Bjs

Nanda desliga e vai ate a sala e fala com Chupeta.

_ Chupeta, eu vou ter que dar uma saidinha pra ver meu love. Mas você fica tranquilo aqui que eu não vou demorar. Ta bom.

Ele so olha e balança a cabeça que sim.

Enquanto isso Waguinho anda com seus homens pelo morro. No meio do caminho ele recebe uma ligação.

_ Fala irmão! Ta fazendo o que eu mandei? ... Então na cola dela! Já é...

Ele senta e começa a receber seus gerentes que prestam conta da boca de fumo.

Em casa Diego se arruma cantarolando. Sua mãe entra no quarto.

_ Vai pra onde meu filho?

_ Vou ver a minha princesa mãe.

_ Essa hora Diego? Onde essa moça mora?

Diego logo tenta disfarçar.

_ Eu não vou na casa dela não, mãe. A gente vai se encontrar na porta da escola.

A mãe fica um tempo em silencio olhando pra Diego.

_ Ta bom meu filho. Vai com Deus!



Ela o beija e volta pra cozinha. Diego logo calça o tênis, pega a chave da moto e sai de casa. Assim que pisa na rua, vê de longe o pai com uns 30 homens parados na esquina. Ele sobe na moto, mas resolve voltar pra falar com o pai.







Mesmo de longe Caixa - Preta já observava o filho. Diego se aproxima apertando as mãos dos comparsas do pai e  dá um abraço em Caixa - Preta.

_ Qual foi ta sentimental hoje Diego? Me abraçando... O que houve? Sua mãe brigou? Dá o papo!

_ Nada não cara. So vim mesmo te dar um abraço. To indo ver minha mina.

Caixa - Preta com os braços cruzados fica parado olhando Diego e logo fala.

_ É aqui do morro essa?

Diego disfarça outra vez e já saí respondendo e indo em direção a moto.





_ Não, não! Não é daqui não. Vou chegar... Vlw

Nanda antes de sair de casa fala com a mãe.

_ Mãe eu vou dar uma saidinha, mas não vou demorar.

_ Oh Fernanda, é esse garoto vai ficar morando aqui em casa? Você sabe que a gente não tem condições de ter mais uma boca aqui.

Nanda faz gesto pra mãe falar baixo, mas é tarde. Chupeta escuta da sala e fica muito sem graça...

_ Phishhh! Que isso mãe! Que horror! É só uns dias... Já vou. Bjs

Ela desce o morro toda perfumada e logo faz sinal pra um moto táxi. Assim que ela pega a moto, o cara que a segue, pega uma moto também e já faz uma ligação. Waguinho recebe a ligação.

_ Fala irmão! já é! To no aguarde. Só dar o já é!

Ele desliga o celular e já grita um comparsa.

_ Ae! Já ta pronto o carro?  Agora atividade quem eu escalei pra missão. To só aguardando o já é.

A mãe de Diego lava a louça e sente um aperto no coração. Ela corre mas Diego não está mais. Caixa - Preta observa ela correndo até a esquina. Quando ela volta ele a para.

_ Qual foi? Ta acontecendo alguma coisa com o Diego?

_ Não. Mas eu senti um aperto no coração... Culpa sua seu demônio! Eu não tenho paz com medo de acontecer alguma coisa com meu filho!



Ela sai batendo o pé. Caixa - Preta fala sozinho e volta pro meio dos comparsas.

_ Ih Ala! Agora tudo é culpa minha nessa porra! Caralho! Mulher maluca!

Diego anda de moto e pensa Nanda. Ele sorri pensando nela... Logo chega na Praça para e fica encostado na moto.
Nanda chega logo em seguida com o moto táxi. Diego vai pagar mas o rapaz não tem trocado.  Ela tira o capacete e dá um beijo em Diego.



_ Pow não tem troco não amigo? Vou trocar ali no bar...

Nesse mesmo segundo o cara que segue Nanda liga pra Waguinho e passa o local que eles estão.
Waguinho já dá a ordem pra seus homens seguirem pra lá. Eles vão em um carro e duas motos em alta velocidade.

Nanda observa Diego tentando trocar o dinheiro... Ninguem troca o dinheiro, até que passa um homem vendendo rosas. Ele olha pra Nanda, sorri e compra algumas pra ela.
Assim  que se aproxima ele entrega o dinheiro pro moto táxi que logo da partida com a moto. No instante que ele se vira e entrega as flores pra Nanda, o carro e as motos com os bandidos de Waguinho chegam já com as portas abertas gritando com as armas apontadas pra Diego.


Nanda e Diego não tem tempo de uma reação. Logo eles chegam arrastando os dois e os jogando dentro do carro. Algumas pessoas que estão na pracinha correm assustadas. A moto de Diego fica parada com a chave na ignição.







segunda-feira, 29 de julho de 2013

Web Novela: A fera e a bela - PARTE 7





Numa tristeza sem fim Chupeta não sabe como enterrar a família. Ele nunca havia passado por tal situação e não sabe como fazer isso. Sentado no chão com a cabeça baixa ele é acolhido pelos amigos. Nanda  tenta ajudar o amigo. Sentados num beco eles conversam.


_ Poxa amigo eu nem o que falar pra você. Mas a gente está aqui, do seu lado.


Ele só chora, de cabeça baixa até que fala.




_ Eu não tenho dinheiro pra enterrar minha família... Eu sou um nada mesmo. Minha mãe, meus irmãos, minha avozinha... Eu tinha era que ter morrido junto.

_ Que isso irmão! Nem repete isso! Tá maluco? A gente vai resolver isso.

_ Mas onde eu vou tirar dinheiro? Eu não sei onde que pede enterro de graça... Eu não quero mais viver.


Enquanto eles conversam Ale vê Waguinho descendo com seus homens. E logo entra na conversa.


_ Gente calma! Eu tive uma ideia agora. 

_ Qual? -  Nanda fica curiosa.

_ Vou pedir pro Waguinho.

_ Ah gente... Vai pedir pra esse asqueroso.

_ Ué Nanda, você tem esse dinheiro? Então querida... Vou lá agora!

Ela se levanta e sai correndo atrás do bonde.


Quando ela se aproxima vários homens cercam Waguinho e conversam. Ela passa por todos e para na frente dele.

_ Posso falar com você rapidinho?

Ele a olha de cima em baixo.

_ Pode...

_ É porque eu queria te pedir uma coisa. Na verdade nem é pra mim, mas pro meu amigo Chupeta. Você Viu aí que a família dele morreu no desabamento e ele não tem condições pra fazer o enterro. Eu queria saber se você poderia ajudar. Nem precisa ser enterro caro, a gente procura o mais barato que tiver, mas é so pra ajudar meu amigo mesmo.

Waguinho olha novamente ela dos pés a cabeça e da forma mais cafajeste possível ele fala.

_ Ué só depende de você.

Alessandra leva as mãos ao peito e pergunta.

_ De mim?

_ É de você. Eu dou o dinheiro, compro até umas ”florzinhas”, mas você vai ter que dar pra mim.

Alessandra fica sem reação, pois jamais esperava isso, mas no fundo ela sempre desejou Wagner.  Ela olha pra onde Chupeta de cabeça baixa chorando e responde firme.

_ Ok. Me dá o dinheiro e eu saio com você.

_ Gostei... Mina de atitude. Vai me dar pra ajudar o amigo. Quanto é de cada defunto?

_ 700 reais. Vai poder me dar agora. Vou te dar 5 mil reais. Já é.

_ Pode ser.

Ale vira pra ir embora e derrepente volta.

_ Posso te fazer uma pergunta?

Ele balança a cabeça que sim.

_ Porque você me quer? Você é tão louco vidrado na Nanda. Eu sou amiga dela e ela não vai querer você depois disso.

Ele fecha a cara e responde.

_ Eu não quero mais essa mandada não.  Ela pode passar batida mas despercebida não.

Ale sente medo de até de perguntar porque.

_ Quer saber, vou te dar o dinheiro agora. Quero você pra mim logo.
Waguinho abraça Ale, esfregando o pau nela e fala em seu ouvido.

_ Vou te comer todinha...

Ale se arrepia toda. Ela tem uma tara por Waguinho e não consegue esconder isso de ninguém. Ele pega o dinheiro e entrega pra ela.

_ Aí, leva pra ele o dinheiro. Mas aí, quero você hoje.

Ale olha o dinheiro, sorri e fala no ouvido de Waguinho.

_ Vou me preparar pra você.  – Enfia a língua no ouvido dele e sai rebolando com o dinheiro.

Chegando perto dos amigos ela faz suspense.

_ E aí Ale... Ele deu? – Nanda come as unhas.

_ Meu bem, resolvi dois problemas de uma vez só.

_ Quais problemas? 

_ Arrumei o dinheiro pro Chupeta enterrar a família dele. Toma Chupeta.

Ela entrega o dinheiro.

_ E livrei você do Waguinho.

_ Me livrou do Psicopata do Waguinho. Como?

_ Ele falou que daria o dinheiro se eu desse pra ele. Ahhhhhhh  monaaaaaaa! Como se fosse um grande esforço dar pra ele.

_ Você está louca? Esse cara é um doente, psicopata, louco. Pelo amor de Deus!

_ Hiiiii Nanda me deixa. Eu quero dar pra ele. Eu quero ser a primeira dama da favela. Alias... Eu vou ser! Porque eu vou dar pra ele de um jeito que ele não vai esquecer. Kkkkk

_ Caralho... Você não é legal da cabeça não. Mas vamos resolver o problema do Chupeta primeiro.

Alessandra fica tão empolgada que se esquece de alertar a amiga sobre a indireta que Waguinho manda sobre ela.

_ Chupeta meu amigo, vamos enterrar sua família tá. Você pode ficar lá em casa pra amanha a gente resolver isso tá amigo. Vamos lá pra você descansar.

Nanda o ajuda a se levantar e o leva pra casa dela. Ale vai correndo pra casa pra se arrumar pra noite com Waguinho.

Já na madrugada dois homens armados ficam assobiando na porta de Alessandra. Ela sai de casa falando pra mãe que vai ao baile. Toda produzida ela desce ao encontro de Waguinho. Ao se aproximar Waguinho a olha com cara de tarado, pega na mão dela e a roda.

_ Tá gostosa hein...

Os homens que estão com ele dão gargalhadas. Ele caminha até uma moto, liga acelera fazendo muito barulho e chama Ale pra ir com ele.

Ela que sempre sonhou em ser mulher de um dos chefes, sobe na moto toda empinada, se sentindo como tal. Ele sai em alta velocidade. 

Eles entram em uma casa que por fora é toda no tijolo, mas por dentro parece uma suite de luxo de um motel. 




Waguinho entra crente que esta abafando, mas mal sabe que Ale está indo com tudo pra cima dele. 
Assim que fecha a porta ele já tira o tênis e joga num canto da casa e começa a tirar as varias armas de tudo que é canto do corpo e colocar sobre uma mesa. 
Ale anda de forma sensual observando tudo e logo pega uma taça e faz sinal pra Waguinho pedindo algo pra beber. 
Ele abre um frigobar e pergunta o que ela quer beber.

_ E aí gostosa, vai querer Chandon? Uisk, Absolut, Amarula. Sabe que o papai aqui é sem miséria né.

_ Pra começar um Chandon... 

Em questão de segundos que ele enchei a taça de Alessandra, ela já correu pro espelho e tirou uma foto com a taça. 
Waguinho fica sentado na cama passando a mão no queixo. 
Quando Ale percebe que ele está parado olhando, encerra a sessão de fotos. Ela vai até o som e liga. 




_ Tem algum funk aqui? 

_ Tem. Só ligar aí já vai tocar. 

Ela passa pra frente dele e começa a rebolar de forma muito sensual e começa a fazer stripper. 
Waguinho começa a gostar e se impressiona. Não esperava isso dela. De boca aberta ele observa cada movimento que Alessandra faz. 

_ Ta gostando? Quer mais? 

_Ohh que isso mulher... Assim eu vou me apaixonar por você. rsrsrs

Ela caminha até ele, para de lado pra ele desamarrar a calcinha e logo começa a beija-lo. 








Mas Waguinho também não fica muito atras no que diz respeito de putaria. Logo ele a pega pelo cabelo com força que não chega a machucar e a segura por traz beijando seu pescoço e passando a mão em seu corpo. 


Mas Ale não está pra brincar e quer fisgar Waguinho de qualquer jeito. 
Ela se vira e começa a passar a linguá no corpo dele descendo pela barriga, com os olhos fixados nos olhos dele. 
Dali a pouco ela sobe vai pra cama e anda de gatinho, para e chama Waguinho.

_ Vem... 

Enquanto isso Nanda dorme e tem um pesadelo horrível com Diego. Ela sonha que está no enterro dele e chora muito em cima do caixão. Ela acorda assustada, suada, com lagrimas nos olhos. Com uma sensação horrível ela pega o celular e liga pra Diego. 

_ Diego. Amor sou eu. 

_ Oi minha gatinha.

_ Está tudo bem com você Diego? Eu tive um sonho horrível. Eu to com medo.

_ Fica calma amor. Esta tudo bem aqui. Amanha eu quero ver você. Você vai ver que eu to bem.

_ Ta então amanha a gente se vê. Te amo tá.

_ Também te amo. 

Nanda se deita e fica olhando as fotos dela e de Diego no celular. 

SEGUE PARTE 8


terça-feira, 23 de julho de 2013

Web Novela: A fera e a bela - PARTE 6



Diego fica apreensivo junto com sua mãe a cada tiro. A possibilidade de seu pai ser preso ou morto é grande. Ele mexe no computador e tenta se comunicar com Nanda 
através do Facebook.


Dia de operação policial é tenso pra quem mora no morro. Todos ficam apreensivos sem saber se sua casa passará pela "delicada" revista policial. 
Por sorte Nanda tambem está on line e os dois logo conversam.

_ Oi meu amor. Como você está?

o coração de Nanda dispara so de ver o bate papo abrir com a mensagem de Diego.


_ Oi Diego. Eu estou bem. E você como vai?
_ Poxa mais ou menos bem. 
_ O que aconteceu? 

Diego tenta disfarçar.

_ Nada de mais não. So uns problemas aqui em casa mesmo. Mas e aí quero te ver. To com saudade do seu cheiro.
_ Eu também to com muita saudade de você.

Enquanto eles conversam policiais começam a passar pelos becos, com pisadas firmes que fazem tudo estremecer. Diego vê sua mãe igual barata tonta de um lado pro outro com cara de panico. 





Caixa preta anda numa mata junto com seus homens. Mesmo com todo nervosismo, eles caminham sempre um zoando o outro. De vez em quando um escorrega com um monte de arma e mochilas e o resto todo encarna. 
Eles caminham até um ponto que já tem coisas enterradas pra caso eles precisem ficar muito tempo por lá. Caixa Preta é um homem muito organizado e pensa tudo com antecedência, por isso manda enterrar garrafas d'água  comidas enlatadas e remédios pra caso alguém se machuque. 
Enquanto Diego conversa com Nanda policiais cercam sua casa e batem no portão com toda força. 

_ Amor vou ter que sair pra resolver um negocio aqui. Depois eu te ligo. Bj te amo! 
_ Ta bom me liga sim porque já estou ficando preocupada. 

Diego sai do computador e logo percebe a sua casa invadida por uns 30 policiais e um homem encapuzado que vem junto caguetando tudo. 
O policial logo aponta a arma pra Diego e começa a revista-lo.

_ Levanta a camisa! Levanta a camisa! Anda porra! 

A mãe de Diego vem esbaforida.

_ Esse é meu filho moço! Ele mora aqui comigo! Não é bandido não. 

Policial responde com deboche 

_ Ah sei sim! Agora ninguém é bandido aqui! Cade o documento dele? 
_ Eu vou pegar pro senhor... 

Eles reviram a casa toda atras de drogas e dinheiro.

_ Quer dizer então que aqui é a casa do Caixa Preta? 
_ Não senhor... Eu não tenho mais nada com ele. Nos temos um filho, mas já estamos separados ha muito tempo. 

O policial olha em volta e continua com ar de deboche. 

_ É mas pelo jeito o dinheiro dele continua entrando no bolso de vocês né... Olha o luxo aqui. 
_ Não moço. Eu trabalho pra sustentar as minhas coisas, o meu filho.
_ Ah sei... 

Enquanto isso, na mata, Caixa Preta joga baralho com alguns dos homens quando derrepente o helicóptero faz um sobrevoou e abre um clarão na mata deixando todos desprotegidos. Todos correm e se jogam em lugares protegidos. Os policiais começam a atirar pra tentar atingi-los. Enquanto eles correm e atiram também  um dos homens de Caixa Preta é atingido e cai no chão gritando de dor. 


_ Caralho! Eu to baleado! To baleado! Me ajuda aqui irmão! 

Caixa Preta olha pra traz e resolve voltar pra resgatar seu soldado. 

_ A contenção aqui porra! Contenção aqui! Mete bala neles que eu vou pegar o amigo! 

Ele corre até chegar no ferido e o carrega nas costas. 

Diego vê um dos policiais colocando seus tênis, relógios e perfumes numa mochila. Mas prefere não falar nada pra não aumentar o problema. 
Eles reviram a casa toda e antes da sair um deles bate com o cano do fuzil na tela da televisão da sala pra rachar o cristal dela. E sai como se não tivesse feito nada. 
As mulheres dos bandidos começam a ficar ouriçadas pois escutam tiros na mata e se apavoram. A policia começa a descer com presos. Muitas pessoas vão atras fazendo a maior confusão pra garantir que eles não sejam mortos antes de chegar a delegacia. 
La no outro morro Chupeta e Marcio vão até a casa de Alessandra.

_ Coé Ale! Coé Ale! 
_ Hiii o que foi hein!?
_ Chega aí cara! Vamos lá na Nanda. Passa um pente nessa juba aí e vamos lá.
_ Juba tem você garoto! Eu hein! Calma aí...

Eles vão conversando até a casa de Nanda. 

_ Coé Nanda! - Grita Marcio
_ Oie! 
_ Chega aí. 

Ela rapidamente sai de casa.

_ E aí! Qual é a boa?
_ Vamos marcar ali na praça.
_ Vamos lá.

Eles descem e ficam numa pracinha ouvindo musica no celular e conversando.


_ E aí Chupeta, sua avó ja está melhor? - Nanda pergunta
_ Ta sim. Já veio pra casa já. Ficou de observação, mas mandaram pra casa porque ela estava melhor. 
_ Ah graças a Deus né. 

Marcio corta o assunto.

_ Coé ! Vamos apertar um baseado? 

Chupeta responde.

_ Eu to duro! 

Nanda também se manifesta.

_ Eu não fumo! 

Ale também fala.

_ Eu to dentro! Bota um dinheiro que eu boto também. 

Marcio pega o dinheiro e vai na boca comprar.



 Chegando lá Waguinho está sentado. Marcio chega e cumprimenta todos. Quando ele vai apertar a mão de Waguinho, ele fica parado olhando pra Marcio, mas em seguida aperta e fala.

_ E a mandada?

Márcio não intende nada.

_ Quem?

Waguinho fica olhando, palitando o dente. 

_ Ta sendo vista ela hein. Tua amiguinha...
_ Pow irmão nem sei o que é... Mas desculpa qualquer coisa aí.

Marcio sai com o cu na mão de medo e volta pra perto dos amigos.

_ Ihhh cara mandadão esse Waguinho... 
_ Qual foi? - pergunta chupeta
_ Sei lá! Cara neurótico. 

Eles começam a fumar maconha e conversam. 

_ Caralho! O tempo tá feião! Vai cair maior chuva. Queria ir a praia. 
_ Ae néee to precisando botar minha marquinha em dia. - Alessandra exibe os ombros. 

A noite chega. A policia deixa o morro e os bandidos retornam do mato. Caixa Preta chega desolado pois seu soldado ferido não resiste ao ferimento. Eles chegam carregando o corpo do cara e mandam chamar a família
Ele bate na porta da casa de Diego e pede pra tomar um banho. Assim que entra su ex mulher já dispara de reclamações. 

_ Mas que saco! Olha o que fizeram na minha casa por causa de você! Eu não aguento mais isso! Ver meu filho sendo sacudido pela policia. 

Ele muito esgotado e sujo, vai tirando a roupa e ouvindo pacientemente.

_ Ve o prejuízo que eles deram aí e me fala quanto foi que eu mando o dinheiro. 
_ Euuuuuuuuuuuuuu não queroooooooo o seu dinheiroooooooo! 

Diego chega e fala com o pai.

_ E aí tudo bem com você? 
_ Tranquilão... So perdi um amigo mesmo... Mas tranquilo. 

Ele vai pro banheiro tomar banho. 

O morro fica silencioso, numa espécie de luto.  Chupeta, Marcio, Ale e Nanda conversam na porta da casa de Nanda. Quando uma chuva muito forte cai. Eles correm pra dentro de casa. 

_ Caralho maior chuvão maluco! - Grita Marcio
_ Pronto agora o morro vira cachoeira. 

A chuva cai torrencialmente e os becos vira uma verdadeira cachoeira. 
Em questão de 30 minutos as sirenes de alerta de risco de desabamento começam a tocar sem parar. Chupeta olha pela janela preocupado, por saber que não conseguirá chegar em sua casa. 

_ O que foi amigo?

Nanda pergunta preocupada.

_ Pow vai ser foda subir pra casa agora. 
_ Se preocupa não amigo jaja a chuva passa. A gente fica conversando aqui até diminuir. 
_ Tranquilhão... 

O tempo passa e nada da chuva diminuir. Até que a luz do morro acaba. Nanda acende velas. Quando ela abre a porta pra botar um pano pra agua nao entrar na sala, ve pessoas subindo o beco correndo gritando com pás  e enxadas nas mãos. 

_ Eita tem um monte de gente subindo correndo. O que será que aconteceu?

Ale vai até a porta e pergunta pra uma pessoa que sobe correndo.
_ O que houve gente? 

Um homem que sobe correndo responde;

_ Caiu um barranco lá em cima numa casa! Ta geral soterrado. Criança e os caralhos. Liga pro corpo de bombeiro! Liga pro corpo de bombeiros! 
_ Meu Deus! Genteee! Caiu um barranco em cima de uma casa! 

Todos dão um pulo do lugar.

_ Que isso parceiro! Vamos lá ajudar... 

Eles correm pra ajudar. Os 4 sobem o morro correndo no escuro. 
Quando estão se aproximando do local Chupeta começa a perceber que a casa que foi soterrada foi a dele. 
Ele para em estado de choque e as lagrimas descem na hora.



_ Caralho! Meu Deus! Minha mãe , meus irmão estão ai em baixo! 

Os amigos tenta segura-lo mas ele se solta e começa a tentar tirar a lama com as mãos desesperadamente. 

_ Meu Deus! Meu Deus! Minha família ta aqui em baixo! Os amigos tentam tirar lama também  mas a chuva forte atrapalha e traz cada vez mais barro e lixo pra cima do local. 
Os moradores cavam sem parar pra tentar salvar as pessoas soterradas. 
Chupeta grita sem para... 

_ Me ajuda aqui pelo amor de Deus! Mãeeeeeeeeeeeeeee! Mãeeeeee! A minha vozinha gente! Meus irmãos! Ajudaaaaa Deus! 

Nanda e Ale choram sem parar e Marcio cava desesperado. 

Chupeta busca força sobre humana, mas se vê totalmente enfraquecido quando olha pro lado e ve um corpo sendo carregado sem vida. É o corpo de uma criança...
Alguem grita que achou outra pessoa soterrada. Chupeta corre e vê um braço, cava desesperadamente, gritando sem parar.

_ Aguenta firme! Aguenta firme! Pelo amor Deus. 

Quando eles conseguem tirar o barro e os escombros de cima da pessoa, ele reconhece que é o corpo de sua mãe, já sem vida.

_ Nãoooooooooooooooooooooo! Não Deus! Nãooooooo Deus! 


Ele não aguenta a dor e desmaia. Os amigos correm pra socorre-lo. 

A chuva dá uma trégua, bombeiros chegam e  fazem a busca. 
O dia começa a amanhecer. Chupeta desolado sendo consolado pelos amigos chora e observa os corpos enfileirados dentro de sacos. 

O dia é de luto em ambos os morros. No morro onde Diego mora, é velado o corpo do traficante morto e no morro de Nanda todos choram a morte da família de chupeta. 

Como eu venho contando pra vocês muita coisa aconteceu. E a morte da família inteira do meu amigo Chupeta, mudou e muito o destino dele. Esse dia foi um dos mais tristes que eu já vi na vida. Hoje eu to aqui na cadeia tenho tempo pra repensar tudo que aconteceu e esse acontecimento foi um dos que mudaram e muito o destino do meu parceiro. 

O luto nos morros mostra um fato que acontece muito por aí. Por que mesmo tendo morrido uma família inteira no desabamento, Waguinho continuo sua rotina normalmente. Musica tocando na maquina que tem perto da boca de fumo, pagode com bebida liberada confirmadíssimo. Traficante não quer saber se algum morador morre. Eles só fazem luto quando é um bandido. Ja no morro onde morreu um traficante, o luto foi ordenado. Lojas foram obrigadas a fechar as portas em sinal de luto. A unica semelhança nos dois é que a boca de fumo continua a todo vapor. Eles não param de vender drogas em função do luto. Mas obrigam lojistas a fecharem.